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  • Classes? Que Classes?Ciclo de Debates sobre Classes Sociais

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  • Classes? Que Classes?Ciclo de Debates sobre Classes Sociais

    Fundao Perseu Abramo e Fundao Friedrich Ebert

    (org.)

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  • Fundao Perseu AbramoInstituda pelo Diretrio Nacional do Partido dos Trabalhadores em maio de 1996.

    DiretoriaPresidente: Marcio Pochmann

    Vice-presidente: Iole IladaDiretores: Luciana Mandelli, Artur Henrique, Ftima Cleide, Joaquim Soriano

    Editora Fundao Perseu Abramo

    Coordenao editorialRogrio Chaves

    Assistente editorialRaquel Maria da Costa

    RevisoCeclia Figueiredo

    Reviso tcnicaVilma Bokany

    Capa e editorao eletrnicaAntonio Kehl

    Crdito das fotografi asEduardo Marcos Fahl e Antonio Kehl

    Este livro obedece s regras do Novo Acordo Ortogrfi co da Lngua Portuguesa.

    Editora Fundao Perseu AbramoRua Francisco Cruz, 224 Vila Mariana

    04117-091 So Paulo SPTelefone: (11) 5571-4299 Fax: (11) 5571-0910

    Correio eletrnico: editora@fpabramo.org.brPortal da FPA: http://www.fpabramo.org.br

    Fundao Friedrich EbertAv. Paulista, 2001 13 Andar cj. 1313

    01311-931 So Paulo/SPTel: (11) 3253-9090fesbrasil@fes.org.br

    www.fes.org.br

    A Fundao Friedrich Ebert (FES) uma instituio poltica alem criada em 1925, sob o iderio da democracia social, atuante em mais de cem pases e presente no Brasil desde 1969. So diretrizes do seu trabalho internacio-nal a promoo da democracia, da paz e da justia social, por meio de programas que buscam contribuir para o desenvolvimento sustentvel, para a segurana e a globalizao solidria. Com parceiros nacionais e interna-cionais, a FES acompanha a formao e consolidao de estruturas democrticas, promovendo a construo de estratgias polticas.

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  • Sumrio

    Saudao aos leitores e leitoras ....................................................... 7

    Apresentao .................................................................................. 9Josu Medeiros

    Quatro notas sobre as classes sociais nos dez anos do lulismo ..... 21Andr Singer

    Mobilidade econmica e classes sociais: transformaes da classe trabalhadora ................................................................... 39Gustavo Venturi, Jos Reinaldo Riscal e Vilma Bokany

    As classes sociais e o mistrio da desigualdade brasileira ............. 53Jess Souza

    Nova classe mdia ou nova composio de classe? ...................... 65Giuseppe Cocco

    Uma nova classe trabalhadora: indagaes .................................. 87Marilena Chaui

    O mercado de trabalho reitera relaes desiguais que se constroem no mbito das relaes econmicas e sociais ............ 105Marilane Oliveira Teixeira

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  • Quem precisa de uma definio de classe mdia? ...................... 125Diana Coutinho e Ricardo Paes de Barros

    Cidades e luta de classes no Brasil .............................................. 139Ermnia Maricato

    As mudanas sociais recentes e a questo racial ......................... 163Mrio Theodoro

    O lulismo e o petismo ................................................................. 173Lincoln Secco

    Estrutura de classe do capitalismo industrial em transio .......... 187Marcio Pochmann

    Adeus ao partido classista: a luta do SPD pelas camadas mdias da populao .................................................................. 199Peter Lsche

    Conhea o material completo do Ciclo de Debates Classes Sociais realizado pela Fundao Perseu Abramo e Fundao Friedrich Ebert ......................................................... 219

    Sobre os autores .......................................................................... 221

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  • Saudao aos leitores e leitoras

    Dez anos que transformaram o Brasil

    Nos marcos de uma dcada de governo federal petista (2003-2013), a Fun-dao Perseu Abramo (FPA) e a Fundao Friedrich Ebert (FES) propu-seram debater a indita ascenso social de 40 milhes de brasileiros(as). Uma ascenso majoritariamente negra, feminina, perifrica e do campo, abarcando o pas como um todo.

    Estimulava-nos a retomada, em crculos mais amplos, do debate sobre clas-ses sociais e intrigava-nos discutir as recentes mudanas a partir do que se chamou outrora de o ponto de vista do proletariado.

    Como pensar essa ascenso social desde a esquerda? Quais as consequn cias dessa mobilidade na composio de classe? Haveria uma nova classe? Mdia? Trabalhadora? Quais as lutas dessa nova classe? Que poltica e valores defen-dem esses setores emergentes? Tais questes e inquietaes ganharam outros contornos a partir da fora das mobilizaes de junho de 2013, que perduram e indicam mudanas de longo curso na poltica brasileira.

    Nesse sentido, organizamos o Ciclo de Debates Classes Sociais em dez sesses, que contaram com a participao de autores de distintas posies po-lticas, ngulos, abordagens e perspectivas de estudos. So esses textos que

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  • 8 Classes? Que classes?

    compem o livro, acrescido dos textos de Lincoln Secco e Peter Lsche e da apresentao do relator do Ciclo, Josu Medeiros. Todos os debates foram transmitidos pela internet e continuam disponveis no canal tevFPA, assim como a relatoria, que pode ser encontrada no portal da FPA.

    Tentamos contribuir para o debate partidrio, pensando e lutando pela continuidade e aprofundamento das mudanas em curso no Brasil.

    Boa leitura!

    Fundao Perseu Abramo Fundao Friedrich Ebert

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  • ApresentaoJosu Medeiros

    Quando o debate ganha as ruas: o PT, as classes sociais e as jornadas de junho

    Para uma organizao ou partido de esquerda, como o Partido dos Traba-lhadores (PT) que pretende transformar a realidade social , dois pre-dicados so necessrios e desejados, a saber, a presena, ao mesmo tempo, da fortuna e da virtude.

    A metfora, criada por Maquiavel, no sculo XVI, conhecida. O Prnci-pe, para conquistar seu objetivo, precisa ter a companhia dessas duas deusas, como ele mesmo as chama. A virtude simboliza a capacidade do ator poltico de transformar sua vontade em ato estratgia, cincia, nos termos da mo-dernidade. A fortuna representa as circunstncias, o acaso, a realidade mesmo, sobre a qual a ao poltica vai se desenrolar. Esta deusa arisca, tira fcil as glrias que concedeu tambm facilmente, e, por isso, o Prncipe deve se sus-tentar na virtude, deusa mais difcil de conquistar, porm mais estvel, mais duradoura. Quando a fortuna faltar, a virtude deve se fazer presente.

    A clebre frase de Marx, Os homens fazem a sua prpria histria, mas no a fazem como querem, seria outra forma de sintetizar essa relao entre ao e estrutura, entre vontade e necessidade. Contudo, devemos a outro italiano,

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  • 10 Classes? Que classes?

    Antnio Gramsci, a atualizao da refl exo maquiaveliana para a tradio da moderna esquerda socialista.

    Gramsci recoloca a problemtica de Maquiavel para o sculo XX, pen-sando no mais em um indivduo salvador, mas em um ator coletivo que vai encarnar a virtude e transformar o mundo pela poltica. O Moderno-Prncipe o partido poltico dos trabalhadores e trabalhadoras, aquele que vai termi-nar o processo de transformao que somente a ao sindical no d conta. Lio que Gramsci extraiu das grandes greves de 1919, quando ele estava ao lado dos operrios ocupando as fbricas em Turim. Lio aprendida por Lnin tambm, no famoso outubro vermelho.

    Tudo isso importa ao PT de hoje, dez anos no governo, maior partido de esquerda da Amrica Latina. Aps uma dcada de muitos feitos e em um pas onde ainda h tanto por se fazer, o petismo, enquanto tradio coletiva do povo brasileiro, tem a obrigao de perseguir o Moderno-Prncipe, de buscar a virtude, isto , de procurar conhecer a realidade brasileira, de entender como nosso pas est inserido nas dinmicas estruturais do capitalismo internacio-nal, para ento elaborar um programa de transformao social e reassumir um papel dirigente na poltica em nosso pas.

    O Ciclo de Debates Classes Sociais, promovido pela Fundao Perseu Abramo (FPA) e Fundao Friedrich Ebert (FES), veio para contribuir nes-se processo. Isso porque um dos principais embates coletivos do pas hoje justo aquele do surgimento de uma nova classe social no Brasil, o lulismo. Afi nal, todos os atores polticos esto de acordo que o Brasil est vivendo uma mudana na sua estrutura de classes. 40 milhes de brasileiros(as) ascenderam socialmente, muitos adentraram no mercado de trabalho e no mundo do con-sumo pela primeira vez. Os encontros, contudo, terminam por a.

    As foras do mercado apresentam uma narrativa na qual essa nova estru-tura de classes comeou a ser gestada durante o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). Ao fazer isso, procuram apagar o fato de que a recesso provocada pelas polticas neoliberais, durante o governo tucano, terminou por aumentar a desigualdade e reforar o contingente de excludos. Ademais, essa viso fala no surgime